O Reajuste não Para.

 


Vou começar esse texto com um ditado que escutava quando eu era moleque. “Cú pequeno, não faz trato com pica grande”.  Acredito que para muitos está ficando difícil comprar aquele bom e velho gibi/manga, todo mês nas bancas lojas virtuais da internet. Não vou negar para vocês que ando esperados os bons descontos da gigante do varejo para comprar algumas coisas. Mas mesmo com os descontos, está fincado cada dia mais difícil ser colecionador de quadrinhos no brasil.

Neste texto, vou dar um panorama de como eu enxergo o mercado e de como as coisas mudaram desde que os consumidores realizaram esse “trato” e agora todos estão tomando bonito com “essa pica grande”.



Meu ponto de partida vai ser os mangás lá nos anos 2000, quando o salario mínimo era de apenas de R$151 reais*. Os animes estão com maior força nesta época e as editoras, espertas e com time, decidiram surfa nesta onda lançando em novembro de 2000 dois títulos para bater o pé na porta. Cavaleiros dos Zodíaco e Dragon Ball. Iniciando com o valor de R$3,90**, os mangás foram maior sucesso, o que abriu as portas para novos títulos como Samurai X, Sakura Card Captors, Yu Yu Hakusho entre outros. Todos esses mangas lançados, tiveram um preço inicial de R$2,90/3,90 sendo eu último volume lançado no valor de R$4,90.


“Tudo” que ocorre hoje, lá no inicio ocorria. Por exemplo. Os reajustes eram normais, mas não eram tão gritantes acredito eu. CDZ, por começa valendo R$3,90 da edição 2 a 21 e vai ter seu primeiro reajuste apenas na sua vigésima segunda edição que agora vale R$4,50. Em pouco tempo ela vai para R$4,90 e permanece assim até o final. Essa situação ocorre com os títulos citados aqui, com exceção de Dragon Ball, que mantem seu preço de R$3,90 até o final das duas 32 edições.




Mas as coisas com o tempo foram se modificando, os leitores mais exigentes, fizeram que o mundo de R$2,90, se tornasse o mundo dos R$30 reais. É fato que o mundo mudou e que as coisas ficaram mais caras. Enquanto o dólar valia por volta dos R$2,00 reais em 2010 hoje ele está chegando aos R$6,00 reais***. E é óbvio que os valores subiram, mas uma coisa é clara: O consumidor ajudou a elevar esses preços no mercado. 



Um dos fatores que eu acredito que ajudaram a contribuir para esse aumento de preço, foi a inflação criada pelos consumidores. Usarei como exemplo Samurai X. O mangá foi lançando originalmente aqui no país no ano de 2001 e teve seu último voluma lançado em novembro de 2003. Kenshin e seus amigos só dariam as caras no Brasil de novo nove anos depois, com seu relançamento pela própria JBC. Neste hiato, o mangá, viraria um item “raro” e quem necessitasse de um fascículo para completar sua coleção, ficava a mercê dos preços absurdos de sites e de vendedores do Mercado Livre.


Para usar um exemplo recente, o novo mangá lançando pela editora Panini. Spy X Family Vol. 1, já se encontra esgotado nos sites da Panini, Amazon e Comix. Aparentemente só se encontra ele no Mercado Livre no valor de R$54,90. Além de termos um produto “raro”, foi criado um valor absurdo para o produto devido uma falta da reimpressão.



Isso ajuda querendo ou não no meu ponto de vista um aumento no preço deste produto, até porque, acho improvável que a editora tenha vendido todo material impresso. O que me leva a crer que essa especulação seja “plausível” é o fato recente da mesma Panini, enviar produtos antigos, quando essa anunciava reimpressão.



Mas é claro que os preços também chegaram aonde chegaram, devido a exigência desnecessária dos leitores. A cada ano a lista dos pedidos aumentava, indo de qualidade de papel a estilo de capa. Os leitores agora, não se importavam com o anuncio do produto, o que importa agora é saber as especificações do mangá ou gibi lançado. 



Essas exigências mais a especulação ajudaram bastante a criar esse mercado caro. Temos que lembrar que esses produtos são para entretenimento e esses preços estão absurdos. Temos hoje quadrinhos/mangás no valor de livros o que na minha humilde opinião é absurdo. Acredito que temos que piorar muito para melhorar. Com a chegada dos Omnibus a situação só piora para o consumidor porque se a moda pegar, pode ser que esse mercado acabe dominando o cenário assim como os de capa dura. 





R$151 reais* - Temos que lembrar que por mais que R$ 2,90 seja barato hoje em dia, o valor para época era um pouco alto, mas não como o valor de hoje. 


R$3,90** - Na primeira edição o valor era de R$3,50 por ser promocional. 


R$6,00 reais*** - Na data que comecei a escrever o texto, o dólar estava chegando quase a esse valor. 

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