Dogman | Crítica

Novo longa do diretor francês Luc Besson, "Dogman", apresenta a história de Doug (Cale Landry Jones), um homem que sofreu castigos físicos e psicológicos de seu pai, deixando sequelas que carregou para a vida adulta. Ele conseguiu sobreviver a esse martírio no refúgio que encontrou no companheirismo dos cães.

A trama começa com Doug sendo apreendido pela polícia como uma figura misteriosa em um caminhão cheio de cachorros. Através de seus relatos à psiquiatra forense Evelyn (Jojo T. Gibbs), acompanhamos, por meio de flashbacks, sua história de vida até os eventos que levaram à sua prisão.

Dessa forma, "Dogman" é quase um filme de personagem de quadrinhos, uma história de origem de um anti-herói que adota o caminho de uma moralidade duvidosa em razão de suas tragédias pessoais.

Doug, que é quase Dog, poderia ser uma Mulher-Gato, que é Selina quase Felina. Até porque ele e sua matilha canina começam a roubar mansões como verdadeiros gatunos.

Além disso, o personagem encontra como lugar para manifestar sua veia artística reprimida uma acanhada casa de transformistas, um palco de "arte marginal" que se tornou o espaço onde lhe permitiam brilhar.

O filme tem um clima indie noventista característico dos primeiros filmes de Besson. Ele volta a retratar um personagem isolado e alienado da sociedade, o que para muitos a associação mais fácil vai ser com o pastiche "scorsesiano" Coringa (Joker, 2019) de Todd Phillips.

O grande destaque de "Dogman" fica para a atuação de Cale Landry Jones; o ator apresenta grande carisma em tela que, por vezes, lembra o saudoso Philip Seymour Hoffman. 

Isso acaba salvando o longa de ser um estudo de personagem frívolo e repleto de clichês, como uma história em quadrinhos na virada dos anos 80 para os 90, que tentando chocar pela violência era puro entretenimento para adolescentes se sentirem "adultos" .

"Dogman" estreia dia 4 de janeiro nos cinemas.