O Melhor Está Por Vir | Crítica

Em "O Melhor Está Por Vir", acompanhamos o veterano cineasta Giovanni (Nanni Moretti) tentando finalizar seu mais novo filme, que relata a história sobre um grupo de comunistas italianos que precisam lidar com suas convicções ideológicas diante dos eventos da Revolução Húngara de 1956.

Entretanto, a produção se vê envolta em diversos problemas, como uma atriz rebelde que insiste em incorporar sua visão própria do roteiro a personagem, a falta de recursos financeiros para a conclusão das filmagens, bem como os próprios anseios criativos do diretor.

Além disso, sua esposa pediu a separação terminando o longo relacionamento dos dois, sendo ela também a única produtora com quem ele trabalhou em sua carreira inteira. E sua filha iniciou um relacionamento com um namorado que tem a idade dele.

Giovanni percebe tudo ao seu redor se tornando cada vez mais difícil de entender, ao mesmo tempo que parece entrar em conflito com tudo o que ele preza. Suas manias e teimosias estão em choque com um mundo que parece tê-lo ultrapassado.

Sua irresignação com as práticas atuais do mercado de entretenimento, com filmes descerebrados, a Netflix pasteurizando produções para mais de 190 países e produtores sul-coreanos investindo no ocidente, apenas o torna uma pessoa mais difícil para aqueles à sua volta, levando-o a um envelhecimento solitário.

Assim, o direcionamento que ele tomará para o final de seu filme refletindo a resolução que precisa para sua vida: se agarrar às suas convicções, tensionando-as ao ponto de tornar insustentável seu modo de existir diante da realidade que se impõe, ou ser mais flexível e encarar as coisas com mais leveza.

Afinal, como dizia "Baby", canção eternizada na voz de Gal Costa: "Você precisa tomar um sorvete. Na lanchonete, andar com a gente, me ver de perto. Ouvir aquela canção do Roberto. Baby, baby, há quanto tempo..."

"O Melhor Está Por Vir" estreia dia 04 de janeiro nos cinemas.