Sobreviventes - Depois do Terremoto | Crítica

Após um terremoto de proporções apocalípticas, um condomínio residencial chamado "Hwang Gung" foi o único prédio que restou de pé em uma Seul completamente devastada.

Logo, sobreviventes de outros lugares começam a chegar ao edifício em busca de abrigo em meio a um rigoroso inverno, gerando tensão entre os moradores que começam a se sentirem ameaçados pela presença deles.

Assim, em uma democracia de reunião de condomínio, é votada a expulsão de todos os refugiados e o fechamento das fronteiras do conjunto residencial. 

"Sobreviventes - Depois do Terremoto" apresenta uma trama de rearranjo social pós-apocalíptico, onde os papéis sociais prévios pouco importam.

Os moradores transformam o condomínio em seu próprio Estado, elegendo Yeong-tak (Lee Byung-hun) como líder à frente de uma milícia paramilitar composta pelos homens mais jovens.

Em um cenário de racionamento de alimentos, falta de água e energia, são organizadas expedições pelos escombros de Seul em busca de suprimentos para abastecer os apartamentos. 

Com o tempo, a busca por alimentos fora do condomínio torna-se cada vez mais difícil e violenta.

O filme não deixa de ser um comentário sobre a dinâmica social dos condomínios nas grandes cidades.

Apesar de refletirem a verticalização e o adensamento urbano que nos aproxima espacialmente, essas construções representam uma lógica imobiliária que enclausuram as pessoas em apartamentos cada vez menores, em detrimento da ocupação dos espaços públicos onde exercitamos a convivência, a empatia, a tolerância, etc.

Em uma outra dimensão, o edifício "Hwang Gung" pode ser visto como um Estado imperialista militarizado, cujas expedições em busca de suprimentos não diferem de inúmeros outros exemplos históricos, buscando de especiarias a petróleo, ou simplesmente saqueando outros povos.

Assim, os soldados retornam ao condomínio como heróis. E o Yeong-tak vai adquirindo gosto pela posição de poder, tornando-se assim cada vez mais vaidoso e autocrático.

Na distribuição de alimentos, aqueles que "trabalham mais" pela comunidade ganham mais, resultando na discriminação daqueles que não ocupam posições de destaque ou são limitados por gênero, idade ou questões físicas.

E as pessoas que não pertencem ao condomínio são pejorativamente chamados de "baratas", e os moradores que as escondem em seus apartamentos enfrentam o risco de severas penalizações.

"​Sobreviventes - Depois do Terremoto", portanto, não é apenas sobre uma tragédia cataclísmica, mas como sua consequente crise de refugiados pode catalisar a ascensão do fascismo. Afinal, as grades do condomínio são para trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que está nessa prisão.

"​Sobreviventes - Depois do Terremoto" está em exibição nos cinemas.