Homem-Aranha: No Aranhaverso


Nunca fui muito fã das HQs do Homem-Aranha. Confesso que a história de um moleque branco, inteligente, criado por tios em um subúrbio de Nova Iorque e que era apaixonado pela menina mais bonita da escola, mesmo similar com a minha realidade, nunca me fascinou. Sempre fui mais entusiasta do Batman (principalmente por conta do desenho dos anos 90 e dos filmes do Tim Burton). Nem a trilogia do Sam Raimi me fazia gostar do personagem (o Tobey Maguire me fez ter ranço do teiudo por muito tempo), além das outras produções capitaneadas pela Sony serem medíocres. Eis que chegamos a 2019, e já balzaquiano, devo admitir que Homem-Aranha no Aranhaverso não só é a melhor coisa feita para o personagem como também um dos melhores filmes do gênero de super-herói de todos os tempos (talvez somente atrás de Superman de 78).

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Miles Morales é um jovem criado na periferia do Brooklyn e que precisa se adaptar a nova realidade de estudar em uma escola elitista e afastada de seu meio cultural, mas que conta com a ajuda de seus pais, o policial Jefferson Davis e a enfermeira Rio Morales, e com os conselhos e ombro amigo do tio, Aaron. Quando é picado por uma aranha radioativa, ganha poderes similares ao do Homem-Aranha, porém resiste a ideia de ser um super-herói. Até que o Rei do Crime usa de seus recursos para abrir um portal que dá acesso a multiversos paralelos, trazendo a tona algumas versões do herói aracnídeo de outras dimensões: a Spider-Gwen, um Peter Parker já envelhecido e com um quilos a mais, uma versão anime chamada Peni Parker, outra com estilo noir e um porco com traços cartunescos. Vendo que não só o destino da sua dimensão como as demais estão em risco, Morales tem que aceitar a difícil tarefa de assumir o manto do amigo da vizinhança e de salvar a vida de todos ao seu redor.

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A princípio, Spider Man Into the Spiderverse é uma animação nunca antes vista igual, até mesmo dentro de tudo que já foi feito por companhias famosas no gênero, como a Warner e a Disney/Pixar. O grande segredo está na abordagem estética, com personagens em 3D que mesclam traços de quadrinhos, além da atmosfera psicodélica e influenciada no grafite. Um grande acerto do filme é se referenciar não só no universo criado por Stan Lee e Steve Ditko, como capas de revistas que saltam na tela, balões recordatórios, onomatopeias e Pop Art. A animação também faz acenos a tudo que já foi abordado em diversas mídias para o personagem, incluindo os filmes do Sam Raimi, tanto nas cenas memoráveis como as mais ridicularizadas.

Outro mérito do filme é a equipe de dublagem. Recheada de estrelas como o Mahershala Ali (dublando o Tio Aaron), Nicolas Cage (Homem-Aranha Noir) e Hailee Steinfeld (a Gwen Stacy do Mundo Paralelo), os personagens também vão se encaixando aos seus intérpretes, criando uma amálgama curiosa e divertida. Quem for assistir dublado, vai notar também que a equipe brasileira respeita a cronologia dos filmes mais antigos e que alguns personagens como o Peter Parker e Mary Jane continuam com os mesmos intérpretes de anos atrás, dando um clima de familiaridade.

Em um período que as animações inundam o cinema e nem sempre apresentam boa qualidade, Homem-Aranha no Aranhaverso dá um passo a frente simplesmente olhando para trás, dando não só aos fãs de quadrinhos o que querem, mas fazendo com que o grande público mergulhe de cabeça em um universo rico e que inspira a todas as idades. Parabéns.

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🕷️NOTA 10,0.

P.S.: Senti falta do Homem Aranha Italiano...

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P.S.2.: ... e do indiano.

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P.S.3.: Hello, darkness, my old friend...

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