Estreia em 19 de maio o retorno de Star Wars aos cinemas com Mandaloriano & Grogu, derivado direto da série O Mandaloriano.
A trama acompanha Din Djarin, interpretado por Pedro Pascal, e Grogu após a queda do Império. Enquanto a Nova República tenta se consolidar, a dupla parte em missão para caçar remanescentes imperiais espalhados pela galáxia.
Jon Favreau, ao lado de Dave Filoni e Noah Kloor, acerta ao adaptar a linguagem da série para o cinema sem tornar o filme dependente do streaming. Mesmo quem não viu a produção no Disney+ consegue acompanhar a história, ainda que perca nuances. O recurso funciona, como em 1977, quando o público foi lançado diretamente no conflito em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança.
O problema está fora da narrativa. O filme escancara um efeito colateral do streaming: séries com orçamento de blockbuster. Mandaloriano custa cerca de US$ 15 milhões por episódio, muito acima de produções televisivas clássicas como Star Trek: Enterprise, que girava em torno de US$ 1,7 milhão.
O resultado é um desequilíbrio claro. Uma temporada completa da série chega a aproximadamente US$ 120 milhões, enquanto o filme gira em torno de US$ 160 milhões. A diferença entre televisão e cinema praticamente desapareceu.
Isso enfraquece o próprio cinema. Quando a TV entrega espetáculo no mesmo nível, o filme perde seu diferencial. Mandaloriano & Grogu é exatamente isso: um grande episódio de 2h12 exibido no cinema. O longa protagonizado por Pedro Pascal não apresenta nada que as três temporadas do Disney+ já não tenham apresentado.
Um dos principais problemas é estrutural. O estilo narrativo da série foi transportado integralmente para o cinema, ao ponto de ser possível identificar onde um episódio termina e outro começa. O filme pode ser dividido em dois blocos claros de aproximadamente 1h06 cada.
Na primeira parte, a história assume um tom de investigação com influência noir. Din Djarin e Grogu, agora trabalhando para a Nova República, caçam remanescentes do Império em uma dinâmica que remete a operações de perseguição no pós-Segunda Guerra Mundial.
Após uma missão inicial, a Coronel Ward, interpretada por Sigourney Weaver, assume uma função semelhante à de Greef Karga, personagem vivido por Carl Weathers. Ela encarrega a dupla de localizar os gêmeos Hutt, irmãos de Jabba, que buscam seu sobrinho, Rotta, sequestrado. A missão tem como objetivo obter informações sobre um general “sem rosto” do Império, agora integrado ao submundo do crime, que possui dados valiosos para a Aliança Rebelde.
Para o público mais atento, a trama ecoa diretamente Star Wars: The Clone Wars, que também utiliza o sequestro do filho de Jabba como motor narrativo. A repetição não é coincidência. Com Dave Filoni envolvido no projeto, o filme recorre a estruturas já exploradas, reforçando a sensação de reciclagem narrativa e de confusão na linha do tempo da franquia em sua expansão cinematográfica, televisiva e literária.
Para quem conhece a estrutura do filme noir, a trama é previsível, pois segue a fórmula sem apresentar uma virada de roteiro eficaz. O problema não é a previsibilidade, mas a falta de resolução satisfatória. A narrativa mantém o ritmo de série televisiva, e essa limitação se estende à segunda metade do longa.
Na parte final, há maior protagonismo de Grogu no resgate do Mandaloriano, sequestrado por ordem dos gêmeos. O clímax é fraco. Din Djarin é envenenado e “morre”, mas a construção não sustenta impacto dramático, já que a reversão é evidente. O recurso existe apenas para criar uma rima narrativa com eventos anteriores, sem consequência real.
Mandaloriano & Grogu expõe um erro estratégico da Disney sob o comando de Kathleen Kennedy. O timing é equivocado e há uma tentativa evidente de capitalizar em um personagem voltado ao mercado de produtos, especialmente o Grogu. Ainda assim, o personagem não possui força comparável a ícones como Woody ou Stitch para mobilizar público massivo nos cinemas.
A banalização da marca Star Wars no Disney+ enfraquece tanto o personagem quanto a própria franquia. O resultado é um produto que chega aos cinemas sem evento, sem urgência e sem relevância proporcional ao tamanho da marca.
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