Moana | Um live-action que prova que nem toda animação precisa ser refeita

 

    Uma das perguntas mais difíceis de responder no meio cinematográfico é: qual é o momento certo para se fazer um remake? Há filmes que esperam décadas para ganhar uma nova versão, enquanto outros são refeitos rapidamente, principalmente quando se trata de adaptações de obras estrangeiras.

    Mas, se essa já é uma pergunta difícil, imagine esta: é realmente necessário produzir um live-action de uma animação?

    Se a memória não me falha, uma das primeiras versões em live-action que lembro de ter visto foi 101 Dálmatas. A distância entre a animação original e sua adaptação foi de 35 anos, um intervalo suficiente para despertar a nostalgia de quem cresceu com o desenho e, ao mesmo tempo, gerar curiosidade em uma nova geração de espectadores.

    Hoje, porém, o cenário é bem diferente. A Disney transformou os live-actions de suas animações clássicas em uma de suas principais estratégias, e Moana chega aos cinemas apenas oito anos após o lançamento da animação original.

    Um dos grandes atrativos da adaptação é a presença de Dwayne Johnson, o The Rock, que volta a interpretar Maui, desta vez em carne e osso. Na animação, o ator já emprestava sua voz ao personagem, inspirado em seu próprio avô.

    A trama acompanha Moana, filha do líder da comunidade de Motunui, na Polinésia. Quando uma antiga escuridão ameaça seu povo e a natureza, ela desafia as ordens do pai e parte em uma jornada pelo oceano para encontrar o semideus Maui e devolver o coração da deusa Te Fiti. Em sua missão, precisará enfrentar criaturas perigosas e descobrir seu verdadeiro destino.

    O maior desafio deste live-action era justificar sua própria existência. Afinal, por que assistir a essa nova versão se a animação continua disponível e funciona tão bem? Infelizmente, a resposta nunca aparece. O filme opta por reproduzir quase quadro a quadro a obra original, resultando em uma adaptação sem personalidade e sem identidade própria.

    O problema não está em ser fiel ao material de origem, mas em tentar reproduzir uma obra concebida para a animação sem oferecer uma nova perspectiva. Muitas cenas foram pensadas para aquele formato, explorando possibilidades visuais que o live-action dificilmente consegue alcançar. Ao transportar essa linguagem para atores reais sem uma releitura criativa, Moana acaba parecendo uma cópia tecnicamente competente, mas artisticamente limitada.

    É justamente aqui que volto à pergunta feita no início desta crítica: é realmente necessário produzir um live-action de uma animação? A resposta não é tão simples quanto parece. Um "não" definitivo ignora adaptações que conseguem ampliar ou reinterpretar o material original. Da mesma forma, um "sim" automático trata qualquer sucesso como justificativa suficiente para uma nova versão. A resposta mais honesta é: depende.

    No caso de Moana, a resposta tende ao não. O intervalo de apenas oito anos entre a animação e o live-action é curto demais para justificar uma nova adaptação. Não houve tempo suficiente para que a obra adquirisse um novo significado para outra geração, nem uma evolução técnica ou narrativa que tornasse essa revisita necessária. Sem mudanças significativas na história, nos personagens ou na linguagem cinematográfica, o filme transmite a sensação de existir mais por uma estratégia comercial do que por uma necessidade artística.

    No fim, Moana não responde à pergunta que sua própria existência levanta. Em vez de apresentar uma nova leitura, uma nova abordagem ou uma evolução da obra original, limita-se a reproduzi-la. E talvez esse seja o maior problema da atual estratégia da Disney: transformar animações em live-actions deixou de ser um exercício de criatividade para se tornar apenas uma fórmula de mercado. Antes de adaptar outro clássico, o estúdio deveria responder à mesma pergunta feita no início desta crítica: esta nova versão realmente tem algo a acrescentar?