VINGADORES, GUERRA INFINITA, MARVEL E A MEDIOCRIDADE DIVERTIDA [ATUALIZADO COM RESENHA]


Dizem que essa foto contem spoilers pesados...

P.S.: Esse texto trata-se de um artigo, e não uma resenha. Quando o filme estiver assistido, o autor pretende atualizá-lo com suas considerações. Dado o aviso, segue o baile...

Segundo alguns dicionários, a palavra "medíocre" significa "mediano, sofrível". É um adjetivo de dois gêneros que qualifica aquele ou aquilo que está na média entre dois termos de comparação , ou seja, que não é bom nem mau, que não é pequeno nem grande, etc. Se formos levar esse conceito para obras de arte, podemos dizer que Botticelli é um exemplo de excelência e Romero Brito não passa de um artista na média. No cinema, temos filmes do Akira Kurosawa, Alfred Hitchcock, Martin Scorsese, entre outros, que são laureados pela crítica e pelo público. Mas a cada Touro Indomável há um Transformers do Michael Bay, um Sucker Punch do Zack Snyder e um Alone in the Dark do Uwe Boll. A genialidade se manifesta de maneira geométrica enquanto a razoabilidade pulula de forma exponencial.  Porém, algumas obras chegam a ser tão péssimas que dão meia volta e ficam divertidas, como é o caso do The Room, Troll 2 e Inspetor Faustão e Mallandro. Entre a luz e as trevas, existe o meio. O medíocre. É o caso dos filmes da Marvel. Mas acreditem, não há nada de ruim em ser apenas “ok”.




Foram 10 anos até aqui, e o segredo do sucesso do estúdio nos cinemas é tão simples quanto receita de gelo. Muitos acreditam que a fidelidade ao material original é o ponto forte em relação a sua principal concorrente, a DC, mas essa ideia é equivocada. O que faz a Casa das Ideias lograr êxito é um excelente trabalho de brand marketing, associado à mescla de todas as concepções que fizeram sucesso em diversos blockbusters no passado, além, indubitavelmente, de contar com um elenco estelar. E podemos dizer que é um trabalho hercúleo, visto que fazer com que um filme seja adorado tanto por crianças, adultos, idosos, ricos, pobres, burros e inteligentes não é pra qualquer um. Talvez só pra Steven Spielberg e James Cameron, que são verdadeiros monstros nesse quesito, o que nos leva a crer que é preciso juntar um departamento inteiro pra arranhar a superfície desses caras.



Enquanto a Warner/DC está na CTI e se mantém com ajuda de aparelhos, a Marvel nada a braçada, apesar de um vez ou outra nos entregar resultados indigestos como Thor Mundo Sombrio e Homem de Ferro III. Lembro-me de uma entrevista de 2012, em que o Chris Evans já falava que o primeiro Avengers não tinha a menor pretensão de mudar a casinha tal qual The Dark Knight, filme dirigido pelo britânico Christopher Nolan. O que me soa estranho, porque na minha concepção o filme do Homem Morcego não zerou absolutamente nada, e sim pegou tudo o que tinha de bacana em produções policiais como Operação França, Serpico e Perseguidor Implcável e acrescentou o Batman no meio.



Com o tempo, Capitão América quis emular Três Dias de Condor, mas não esqueceu do principal: é um filme de super-herói. É legal termos debates sociológicos e tal, não me entendam mal. Mas o produto em si também foi feito pra entreter e é isso que ele faz com êxito. Todavia, não se pode esperar um esmero tipico de um Superman do Richard Donner, então creio ser impossível emular aquela atmosfera magica, afinal é uma obra única (e meio datada pros padrões atuais). Então estou ciente das limitações dos filmes, até porque eles são feitos em escalas industriais apenas pra manter a marca ativa. E mesmo assim, estes conseguem nos dar resultados satisfatórios.



Bem, quanto ao Guerra Infinita: e daí que o filme tem um fiapo de roteiro? Um brutamontes vindo do espaço sideral pretende juntar as Joias do Infinito em sua Manopla do Poder tal qual Darkseid e sua obsessão pela Equação Antivida, e os nossos heróis precisam se reunir pra impedir o monstrengo de dominar o mundo e o universo, nem que isso custe suas próprias vidas. Sim, mais clichê impossível. Mas porra, é divertido pra caramba. A pancadaria, os diálogos, as piadas, o fato da galera toda estar reunida. Não poderia esperar algo a mais de uma produção nesse sentido. Se eles parassem toda hora a ação pra fazer alguma colocação filosófica juro que sairia do cinema e pediria meu dinheiro de volta! 



Sem pretensões de ser revolucionário ou apresentar algo de novo pra sétima arte, o mais novo crossover da Marvel Studios tem intenção de entreter e fazer com que o grande público se esqueça das complicações do cotidiano. São duas horas de surrealismo, piadas e outros sobressaltos de adrenalina. O bom disso tudo é que saímos renovados para o mundo que nos espera. O ruim é voltar pra realidade, medíocre diga-se passagem...

[ATUALIZAÇÃO]

Depois de prometer a mim mesmo que iria passar longe dos cinemas até o hype passar, eis que no domingo (29 de Abril) resolvi assistir ao filme que não está deixando a juventude dormir e viver tamanho o impacto que o final proporciona aos expectadores. E devo dizer: a reação das pessoas é melhor que a produção em si. É engraçado ver um público acostumado com finais padrões com o mocinho triunfando sobre o vilão e sem nenhuma aparente consequência. Pelo visto essa época acabou na Marvel. O filme é uma espécie de Império Contra Ataca e já posso imaginar como o blockbuster do George Lucas foi compreendido pela audiência naquele período. 



Muitos atalhos narrativos desnecessários, algumas piadas fora do tom (apesar de eficientes) e vilões em CGI que me fazem ter uma lembrança dolorosa do Lobo da Estepe. Mas apesar disso, são 2 horas e meia de pura ação que não deixa ninguém respirar. O Thanos, principal ameaça aqui, convence em suas motivações malthusianas, e começo a achar que ele é que tá correto (#Thanosmito2018). Apesar de perder tanto quanto os mocinhos, aqui nitidamente sai vitorioso em seus fins. 
Outra coisa que gostei foi a distribuição dos núcleos para que os personagens tivessem mais relevância e tempo de tela. É bem legal ver o Homem de Ferro, Doutor Estranho, Homem Aranha e 4/6 dos Guardiões da Galáxia juntos e usando seus poderes para ajudar uns aos outros, enquanto Thor, Groot e Rocket Racoon partem em busca de um machado que pode destruir o mostrengo roxo. A trama "terrena" fica a cargo de Capitão América, Viúva Negra, Bucky, quase todo o elenco de Wakanda com o Rei T'Challa, Feiticeira Escarlate, Visão, Máquina de Combate, Falcão Negro e Bruce Banner, que tenta a todo custo se transformar em Huck e rende cenas hilárias com isso. Cada núcleo é responsável por uma missão e todos funcionam organicamente, respeitando a síntese dos heróis que nos foram apresentados em produções solos. Mas a pergunta que fica: onde foi parar o Gavião Arqueiro? E a Valquíria do Thor Ragnarok? Homem-Formiga estava em missão e se ausentou na batalha mais importante da terra? Só o tempo (ou a continuação) irá dizer... Em suma, tudo que eles prometeram mostrar cumpriram com louvor. Boa, Marvel!

Nota 8,0.

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